sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Poema / ameoq

Reflexo,
Eu olho, tu me olhas,
Os opostos se entendem?
Busco em ti parte de mim.
Não sei aparar as arestas,
Só sei que tu me completas,
Pois sem ti nem sei quem sou.
A rima é pobre, a poesia é fraca,
O sentimento é fundo.
Silvia, vou contigo até o fim do mundo.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Criança

Tem bola de gude,
Pião, pipa e taco,
Jogo de varetas,
Corrida de autorama,
Xadrez, ludo e dama,
War e Detetive,
Banco imobiliário,
Tem bola de fute,
de vôlei, de basquete,
Do jogo de tênis,
Tem bola e raquete,
Times de botão,
Soldados e apaches,
Tem jogo de montar,
E livros de história,
quadrinhos de aventura,
Gibis, grilos, Tim-Tim,
Tudo isso dura,
Vive na memória,
Infância não tem fim.

Jogo de lembranças:
Brincar de pega-pega,
Maçã, salada mista,
Pular amarelinha,
Correr no esconde-esconde,
Perder no bafo-bafo,
Brincar de pular corda,
Não ficar de fora
Do futebol de quadra,
De campo, de botão,
Do vôlei e queimada,
Arriscar a cesta,
Lançar a bola certa...

Lembrar é reviver,
O tempo que foi ontem,
Tempo de criança,
Sem preocupação.
O mundo era um jogo,
Brinquedo e fantasia,
Com muita ocupação.
Dizem: quem não sonha,
Não brinca e apronta,
Não vive a melhor fase,
Pois eu não sabia: era feliz
E nem me dava conta.

domingo, 23 de agosto de 2009

Reconstrução

De noite, junto os pedaços,
Reconstruo imagens, pensamentos
Tempos perdidos, palavras ao vento,
Horas e minutos fora do contexto.

Cavaleiro andante sem espada na mão,
Sem o Rocinante, vou atrás dos moinhos.
Penso: são batalhas inúteis contra a desmemória,
Monstros de medo, que me tiram o sono.

Contra erros passados não há solução.
Mas lembranças tardias podem ajudar.
São armas e escudo para o outro dia,
No momento, na hora de recomeçar...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Por acaso

Cometi uma poesia,
Mas foi sem querer.
Não tive intenção,
Nem sei bem porquê.

Estava distraído
Quando reparei numa pipa...
Ela ia e voltava, rabeava no céu,
Mergulhava e subia.
Quase me seguia.

Vi cachorros soltos
Andando pela rua,
Sem rumo e sem dono,
Com pulgas e medo,
Mas livres e sem culpa.

Eu ia com meu filho
Para um novo dia.
Era tempo de inocência,
De quem vive o presente,
A dádiva de estarmos vivos.

sexta-feira, 27 de março de 2009

No escuro

Milhares de vagalumes
Brilham à noite.
É a cidade que demora a adormecer...

No jogo do claro/escuro,
De quem vai pelas sombras,
Sensação de apuros na escuridão.

Fica o medo do desconhecido
Do lugar incerto,
Da pisada em falso,
Do olhar furtivo...

Ponho a mão no bolso,
Sigo em frente
E acelero o passo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Rotina

Nada como um dia depois do outro.
Um após o outro. Melhor que nada.
Sucessão de noites,
Encadeamento de rotinas,
Pasmaceira sem fim.

Como nau sem rumo,
Sonho acordado
Noites de tempestade,
Dias de furacão.
Tempo de reflexão.

Meu porto seguro:
Minha mulher,
Meus filhos,
Livros...
Momentos de paz.