domingo, 23 de agosto de 2009

Reconstrução

De noite, junto os pedaços,
Reconstruo imagens, pensamentos
Tempos perdidos, palavras ao vento,
Horas e minutos fora do contexto.

Cavaleiro andante sem espada na mão,
Sem o Rocinante, vou atrás dos moinhos.
Penso: são batalhas inúteis contra a desmemória,
Monstros de medo, que me tiram o sono.

Contra erros passados não há solução.
Mas lembranças tardias podem ajudar.
São armas e escudo para o outro dia,
No momento, na hora de recomeçar...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Por acaso

Cometi uma poesia,
Mas foi sem querer.
Não tive intenção,
Nem sei bem porquê.

Estava distraído
Quando reparei numa pipa...
Ela ia e voltava, rabeava no céu,
Mergulhava e subia.
Quase me seguia.

Vi cachorros soltos
Andando pela rua,
Sem rumo e sem dono,
Com pulgas e medo,
Mas livres e sem culpa.

Eu ia com meu filho
Para um novo dia.
Era tempo de inocência,
De quem vive o presente,
A dádiva de estarmos vivos.

sexta-feira, 27 de março de 2009

No escuro

Milhares de vagalumes
Brilham à noite.
É a cidade que demora a adormecer...

No jogo do claro/escuro,
De quem vai pelas sombras,
Sensação de apuros na escuridão.

Fica o medo do desconhecido
Do lugar incerto,
Da pisada em falso,
Do olhar furtivo...

Ponho a mão no bolso,
Sigo em frente
E acelero o passo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Rotina

Nada como um dia depois do outro.
Um após o outro. Melhor que nada.
Sucessão de noites,
Encadeamento de rotinas,
Pasmaceira sem fim.

Como nau sem rumo,
Sonho acordado
Noites de tempestade,
Dias de furacão.
Tempo de reflexão.

Meu porto seguro:
Minha mulher,
Meus filhos,
Livros...
Momentos de paz.